segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Caminhada - Indicações e contra indicações

As atividades físicas são esquecidas pela dedicação com o ofício diário.
            A caminhada é um bom exercício aeróbico, pode ajudar a queimar calorias, manter a forma e evitar que fiquemos sedentários.


A atividade é considerada, uma das melhores formas para realização de exercícios aeróbicos para os adultos aparentemente saudáveis, especialmente para os idosos, até porque o ato de andar faz parte de nossa vida e a caminhada é simplesmente o ato de andar num ritmo mais acelerado.
Realizar caminhas é uma das práticas mais recomendadas pelos seguintes motivos: é uma atividade física simples de ser executada, pode ser realizada individualmente, produz os mesmos benefícios da corrida, do ciclismo e da natação e é considerada a prática mais simples e segura de exercícios aeróbicos, por conferir proteção ao sistema cardiovascular.


Porém, apesar da caminhada apresenta maior índice de aderência aos exercícios para a prevenção de problemas e promoção de saúde, é bom lembrar que as atividades físicas devem fazer parte de um programa global de saúde, para não causar malefícios à saúde. Uma das ocorrências mais comuns dentre o nosso atendimento clínico é a lesão de joelhos por desalinhamento postural, por exemplo, varo e valgo (joelhos pra dentro/joelhos pra fora) devido à falta de força em alguns músculos, e nesta condição realizar a caminhada é colocar carga e peso em um joelho desalinhado, e isto significa lesão. Portanto, existe a necessidade de uma ação complementar que visa o trabalho muscular para poder realizar caminhada de forma responsável.
         A decisão da caminhada deve ser acompanhada de uma série de cuidados, com o objetivo de preservar nossa saúde e aproveitar ao máximo os resultados que podem ser obtidos. Temos algumas dicas importantes:
·         Devemos dar sempre preferência a um horário fixo (pois nosso organismo se adapta melhor), e usar sempre o relógio, que vai medir a duração da sessão de caminhada, bem como a evolução da condição física. É de fundamental importância que a pessoa cardíaca consulte seu médico para verificar se pode exercitar-se sem riscos.
·         O aquecimento é importante. Começando a caminhar devagar até adquirir um ritmo mais avançado, dando preferência para caminhar em um só período.
·         Procurar um local com aclives e declives suaves (quanto mais plano melhor).
·         É importante utilizar roupas e calçados leves (suar não significa perda de peso ou esforço maior).
·         No momento deve-se escolher uma passada que não seja intensa e intolerável, nem tão leve que não estimule nossa respiração.
·         Caminhar continuamente, e de forma fluida. A carga e a freqüência da prática devem ser observadas de acordo com a exigência de cada organismo, conforme recomenda o Colégio Americano de Medicina do Esporte (American College of Sports Medicine - ACSM), segundo o cálculo que pode ser feito por nós, dependendo do nosso objetivo a nos exercitar.
·         A caminha (passeio) é descontínua, lenta, contemplativa e é boa para higiene mental. A caminha (exercício) tem sua intensidade ajustada à sua tolerância cardiorrespiratória, ou seja, com uma boa intensidade, que é aquela que ainda permite que possamos realizar uma conversa breve, sem falta de ar e sem desconfortos.
·         Vale lembrar que a caminhada normalmente é segura e não coloca nem mesmo pacientes cardíacos supervisionados sob risco, mas ela pode ser causa de acidentes cardíacos em pacientes que possuem distúrbios cardiocirculatórios.
·         Deve-se alimentar com uma fruta ou suco (não mais que 200 ml), 30 minutos antes, e logo após o exercício.
·         Ingerir água filtrada somente em pequenas quantidades;
·         Ao término da atividade física deve-se sentir bem. A qualquer sinal de cãibras, dores, falta de ar, cansaço extremo, é recomendado que pare. Persistindo os sintomas, é recomendável um contato com o médico.
·         Os dias de exercício devem ser alternados para permitir a recuperação do corpo antes da próxima carga. Caso contrário, podemos entrar em “overtraining” *, que é prejudicial à nossa saúde corporal.
·         A caminhada não combina com o uso regular do cigarro, a ingestão excessiva de álcool antes de caminhar e comportamento obsessivo de competir com os participantes.
·         Deve-se avaliar e reavaliar o nosso desempenho de tempos em tempos. Podemos perceber o quanto este simples exercício é capaz de proporcionar benefícios ao nosso organismo. Para isso, basta que caminhemos corretamente.

Enfim, com atenção e responsabilidade, podemos de forma leve, continua e constante realizar nossas caminhadas com a certeza de estarmos com a saúde mais próxima do ideal, previna-se, caminhe e seja feliz!


*O overtraining é um estágio atingida após uma seqüência de exercícios realizados de forma ininterrupta ou exagerada. O organismo precisa de repouso para recuperar-se após uma sessão de treinamento intenso, mas, como ele é altamente adaptativo, quando se exagera apenas algumas vezes e não se preocupa com o devido descanso, ele ainda consegue compensar este exagero durante certo período.  Este processo vai minando o organismo gradativa e silenciosamente até que comece a manifestar alguns sintomas, como: freqüência cardíaca mais elevada que o normal (em repouso e em atividade), maior dificuldade de recuperação após o exercício, dificuldade de ter um sono reparador ou dificuldade para dormir, alterações de apetite, podendo apresentar lesões osteomioarticulares recorrentes (principalmente nos segmentos exigidos).

            Caminhar é uma atividade física, é movimento, é mecânica, é fisioterapia. Podemos concluir:
Tudo é Fisioterapia.

Por Hugo Morais Bickel

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